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GOVERNO INCENTIVOU BANDIDOS COM ARMAS E DINHEIRO NA PARAÍBA

Adelson Barbosa dos Santos / 29 de julho de 2018    

Foto: Reprodução
O governo da Paraíba distribuiu dinheiro, armas e munição - a título de indenização- para fazendeiros aliados que se apresentaram como combatentes da Coluna Prestes no Sertão no ano de 1926. No entanto, eles nada combateram.

Dois anos já tinham se passado desde que a Coluna passou pelas terras do Sertão da Paraíba (e já estava na Bolívia) e o Governo ainda publicava no Diário Oficial, atos de doação das benesses para os fazendeiros. Quem garante é o historiador José Octávio de Arruda Melo.

Segundo ele, o Governo, então sob o comando de João Suassuna, “sob o pretexto de combater os revoltosos fortaleceu o banditismo na Paraíba”.

A título de esclarecimento: João Suassuna foi o pai do escritor Ariano Suassuna, que nasceu no Palácio da Redenção, a sede do Governo da Paraíba, que também servia de morada oficial.

De acordo com José Octávio, o governo criou batalhões patrióticos para que e Polícia Militar combatesse a Coluna Prestes. Ele cita que em relatório de 1926, o então comandante da PM, Elísio Sobreira, afirma que os batalhões nunca combateram nada e os militares só chegaram atrasados, depois que os integrantes da Coluna já tinham passado por determinada comunidade sertaneja. “Os policiais seguiam o rastro da Coluna. Eles estupravam, matavam, incendiavam e colocavam a culpa na Coluna”, sustenta José Octávio com base no relatório de Elísio Sobreira.

Padre reagiu e foi massacrado

No livro “A Paraíba na trilha da Coluna Prestes”, do professor Francisco de Assis Melo, José Octávio afirma no prefácio que, na Paraíba, em fevereiro de 1926, o grosso da Coluna, procedente do Rio Grande do Norte, entrou no município de Uiraúna, atravessou Lastro, Sousa, Nova Olinda, Santana dos Garrotes, Coremas, Piancó e Princesa Isabel.

“Para lhe oferecer cobertura, formação comandada por João Alberto, percorreu Pombal, Condado, Malta e Santa Terezinha, nas vizinhanças de Patos, onde chegou a Santa Gertrudes”.

Os dois grupos, segundo José Octávio- a Coluna e a formação comandada por João Alberto-, se encontraram ao sul de Piancó, seguindo depois do conflito com o padre Aristides Ferreira da Cruz, que também era chefe político local, para o Estado de Pernambuco. Conforme o historiador, os comandados de Miguel Costa e Luiz Carlos Prestes percorreram o território paraibano em marcha acelerada, mas a tempo de terem tido um enfrentamento sangrento em Piancó.

“Os trágicos acontecimento de Piancó, onde o chefe político Aristides Ferreira da Cruz, sacrificado a nove de fevereiro de 1926, marcaram para sempre essa trajetória, partilhada pela bibliografia paraibana que a acompanha”, frisa José Octávio no prefácio da obra de Francisco de Assis Melo.

José Octávio lembra que historiadores de Piancó, como o padre Manoel Otaviano, publicaram em 1954 um livro intitulado “Os mártires de Piancó”, reeditado em 1979 com o nome “A Coluna Prestes na Paraíba”.

Ele frisa que a obra de Manoel Otaviano foi rebatida na tribuna da Assembleia Legislativa da Paraíba pelo deputado e coronel da Polícia Militar Manoel Arruda de Assis.

Ele cita várias obras sobre os acontecimentos envolvendo o movimento liderado por Prestes, a exemplo de “A Coluna Prestas na Paraíba”, da professora Lúcia Guerra (1980), “O dia em que a Coluna passou”, de Eulício Farias de Lacerda (1982). Para esses autores, conforme José Octávio, “é no conjunto das lutas políticas locais que o sacrifício (morte) do padre Aristides Ferreira deve ser encarado”.

José Octávio diz que seu entendimento em relação à Coluna não variou desde 1979, quando ele realizou a conferência “A Paraíba e a década de 1920”, até hoje. “Enfrentada pelos batalhões patrióticos das oligarquias, estas valeram-se da Coluna para se fortalecer. A rebelião de Princesa, por exemplo, derivou daí. As armas recolhidas após a passagem da Coluna, reapareceram, então”, afirma o historiador.

Cenário turbulento

O autor do livro situa o cenário político da Paraíba entre 1920 e 1930. Diz que aquele período foi muito tumultuado em relação à política brasileira e afirma que, no foco dos acontecimentos estavam os militares, “representados pelos jovens tenentes, cuja trajetória de rebelião começa com o movimento ‘Os Dezoito do Forte’. Tal movimento aconteceu no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Foi um movimento de protesto dos militares contra o governo de Epitácio Pessoa e, posteriormente, contra a posse de Artur Bernardes, que era um representante das oligarquias.

Em cinco de julho de 1922, o Governo mandou bombardear o Forte de Copacabana. Morreram 15 militares rebelados e um civil voluntário. Sobreviveram Eduardo Gomes e Siqueira Campos. Prestes estava ausente porque se encontrava com problemas de saúde.

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