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Doria é alvo de rivais em debate da Band ao governo de São Paulo

Operação Lava Jato e corrupção também são temas usados por candidatos ao governo nas eleições 2018




O Estado de S.Paulo
17 Agosto 2018 

Praticamente ausente do evento que reuniu na semana passada os presidenciáveis, a Operação Lava Jato e casos de corrupção foram usados pelos candidatos a governador de São Paulo nos embates travados durante o primeiro debate das eleições 2018, realizado pela TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira, 16.

O encontro durou pouco mais de duas horas e reuniu sete candidatos: Márcio França (PSB), Rodrigo Tavares (PRTB), Paulo Skaf (MDB), Marcelo Cândido (PDT), João Doria (PSDB)Luiz Marinho (PT) e Lisete Arelaro (PSOL). 
João Dória durante debate ao governo realizado pela Band Foto: João Doria
Durante todo o debate, Doria, representante do PSDB – partido que governou o Estado por quase 24 anos em seguidas gestões –, foi o mais provocado pelos adversários. No momento mais acalorado do evento, polarizou uma troca de ataques ácidos com o candidato do PT, Luiz Marinho.
O petista questionou Doria sobre o fato de ele ter renunciado ao cargo de prefeito da capital, afirmou que o tucano apresenta baixa avaliação em São Paulo (conforme a mais recente pesquisa Ibope, na capital, o ex-prefeito chegou a 52% de rejeição) e tentou associá-lo ao governo do presidente Michel Temer

Na resposta, Doria questionou o petista sobre a ética na política e citou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso na Lava Jato e candidato à Presidência do PT. “Quero lembrar que o senhor é réu lá em São Bernardo na construção e um museu que o senhor fez gastando milhões de reais em homenagem a Lula. Custou milhões e não ficou pronto. O senhor também recebeu (sic) delação premiada de executivos da Odebrecht, onde o senhor intermediou repasses de caixa 2 para seu partido, o PT”, disse o tucano que citou também supostos repasses da OAS em “um esquema de corrupção” para o ex-prefeito petista.
 
Sete candidatos ao governo participaram do debate da Band Foto: Nilton Fukuda/Estadão
Marinho rebateu relacionando alvos de investigações que envolvem o PSDB. “Falar de corrupção, importante o senhor lembrar onde anda Denise Abreu (ex-diretora do Departamento de Iluminação Pública do Município de São Paulo, alvo de investigação), onde anda Paulo Preto (Paulo Vieira de Souza, ex-diretor da Dersa, acusado de desvio de dinheiro público durante governos do PSDB), onde anda Laurence Lourenço Casagrande (ex-secretário de Geraldo Alckmin). 

'Quero saber onde anda Lula? Preso em Curitba', afirma Doria
“Candidato do PT, quero saber onde anda Lula? Preso em Curitiba e respondendo processo. E ficará preso por 12 anos. Onde anda Zé Dirceu? Com tornozeleira eletrônica”, disse o tucano na tréplica.
Em suas considerações finais, Marinho voltou a atacar o rival tucano. “O Doria podia explicar as contas na Suíça do PSDB, podia explicar por que o Alckmin ontem (anteontem) entrou pelos fundos para prestar depoimento no Ministério Público, podia explicar as malas de dinheiro do Aécio (Neves), que foi presidente do seu partido.”
Em sua vez, Doria protestou contra Marinho pelo que chamou de a “forma desrespeitosa” com que ele se referiu a Bia Doria, mulher do tucano, citada pelo petista. Doria ainda defendeu o candidato à Presidência de seu partido. “Não compare Geraldo Alckmin com Lula. Lula está preso e Geraldo Alckmin está fazendo uma grande campanha.” 
No bloco anterior, quando jornalistas faziam perguntas aos candidatos, o tucano e o atual governador e candidato à reeleição, Márcio França, protagonizaram um embate sobre uma lei sancionada pelo governador que limita a caça do javali no Estado. O candidato do PSB disse que não proibiu a caça dos animais no Estado, já que a lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa, e afirmou ser contrário a este tipo de abate, dizendo que isso não pode ser “um esporte” em São Paulo. Doria comentou, afirmando que França teria mudado de posição. França foi para o ataque, afirmando que “quem muda de ideia constantemente” era o candidato tucano. “Quarenta e três vezes você prometeu pra mim e para todos os paulistanos que você cumpriria o seu mandato e seria o melhor prefeito de São Paulo”, disse. O ex-prefeito pediu direito de resposta, que foi negado pela produção da emissora.
Farinata e ração humana
No primeiro bloco do debate, Doria – que contava com uma claque participativa no estúdio – precisou responder a críticas sobre a gestão tucana na área da segurança pública e foi provocado também sobre uma questão sensível de sua gestão na Prefeitura de São Paulo: a adoção da farinata – composto produzido a partir de alimentos próximos ao vencimento – na merenda de escolas municipais de São Paulo. 
Doria foi questionado pelo candidato do PDT, Marcelo Cândido, sobre a importância da segurança alimentar para a saúde pública da população. Após o tucano listar suas propostas, entre elas a aplicação no Estado do programa municipal Corujão da Saúde, Cândido lembrou da tentativa de adotar a farinata na merenda escolar, chamado pelo pedetista de “ração humana”. 
“A farinata era um projeto da Cúria Metropolitana de São Paulo, a mesma que a doutora Zila Arns com muito brilho fez e realizou durante toda a sua vida enquanto esteve aqui entre nós”, respondeu Doria, que outubro do ano passado, ainda na cadeira de prefeito, desistiu do uso do composto na merenda escolar após críticas de especialistas e de questionamento do Ministério Público Estadual.
No tema segurança, Skaf, Marinho e a candidata do PSOL criticaram a gestão da segurança pública no Estado. O ex-prefeito da capital prometeu “padrão Rota” nas forças de segurança, com “polícia na rua e bandido na cadeia”. "O PSDB governa o Estado há 24 anos. Não fez nada disso nesses 24 anos. Será que vai fazer agora? A polícia não garante a segurança da população”, reagiu o candidato petista. /GLAUCO DE PIERRE, VALMAR HUPSELL FILHO, FABIO LEITE E PEDRO VENCESLAU

















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