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Meirelles supera oposição no MDB e confirma candidatura à Presidência



Foto: Bruno Rocha 28.jul.2018/Estadão Conteúdo

  • Meirelles dança com colega de partido durante convenção do MDB paulista

Ex-ministro da Fazenda de Michel Temer, Henrique Meirelles confirmou nesta quinta-feira (2) a candidatura à Presidência da República pelo MDB. Ele garantiu o mínimo de votos necessários em seu apoio em convenção nacional do partido realizada em Brasília e, assim, foi oficializado como candidato. Dos  419 votantes, 85% votaram "sim" pra Meirelles.
Meirelles chegou ao evento por volta das 11h30 acompanhado de uma claque, que gritava o slogan "Chama o Meirelles" e girava camisas no ar.
A última vez que o partido teve candidato próprio à Presidência foi em 1994, com Orestes Quércia.
Desde que anunciado como pré-candidato em 22 de maio, um mês após ter se filiado ao MDB, Meirelles vinha viajando por todo o Brasil na tentativa de convencer os integrantes do partido, especialmente quem controla a sigla nos estados, a votarem nele. Isso porque, apesar de contar o apoio de Michel Temer, ele não conta com o suporte de todos os caciques do partido, como Roberto Requião (PR), Eunício Oliveira (CE) e Renan Calheiros (AL).
Por razões políticas regionais – o herdeiro de Calheiros e atual governador de Alagoas, Renan Filho, se aliou ao PT no estado –, o último chegou a declarar na convenção desta quinta que a candidatura de Meirelles é "ridícula" e um "tiro no pé" do MDB. Renan também reforçou que apoiará a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Palácio do Planalto.
O presidente Michel Temer, dono do governo mais impopular da históriaesteve presente na convenção.
Kleyton Amorim/UOL
Michel Temer vota na convenção nacional do MDB
Nas últimas pesquisas eleitorais divulgadas pelos institutos Datafolha e Ibope, em junho Meirelles apareceu com 1% das intenções de voto em todos os cenários em que foi testado.
O nome de seu vice-presidente para a chapa ainda não foi anunciado. A Comandante Nádia, vereadora de Porto Alegre, chegou a ser sondada para a vaga, mas preferiu se focar na candidatura à Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, apurou a reportagem. A data limite estipulada pela lei eleitoral é este domingo (5).
Luciana Amaral/UOL
Senador Romero Jucá após votar na convenção nacional do MDB

Cálculo e peso dos votos

Para ter o nome aprovado, Meirelles precisava de pelo menos metade mais um dos votos válidos na convenção nacional. O número varia de acordo com o quórum presente -- o mínimo são 223 presentes.
O colegiado é composto por 443 integrantes. Como alguns têm direito de votar mais de uma vez, por conta dos cargos que ocupam, a quantidade total de votos pode chegar a 629. Cada estado tem ainda um peso específico na votação determinado pela bancada dele no Congresso Nacional, entre outras regras. Entre os mais influentes estão São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
A convenção do MDB foi realizada no Centro Internacional de Convenções de Brasília e contou com uma estrutura robusta, como três telões de altíssima definição em que os jingles em ritmo de forró e vídeos promocionais de Meirelles eram veiculados, palco em meio à plateia e mesa de autoridades.
A campanha do emedebista tem como mote "chama o Meirelles". Nas propagandas, Meirelles se mostra como solução dos problemas econômicas do país e pessoa com "honestidade e coragem". Para se aproximar da população e amenizar a imagem por vezes considerada sisuda de candidato ligado a Temer e ao mercado financeiro, ele veste roupas mais leves e claras, além de sorrir e acenar ao povo.

Quem é Henrique Meirelles

Natural de Anápolis, Goiás, Henrique Meirelles tem 72 anos e é formado em engenharia civil pela Universidade de São Paulo. Ele tem mestrado em Ciências da Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e curso avançado na área pela Universidade Harvard.
O candidato construiu a carreira no Bank Boston entre 1974 e 2002, do qual foi presidente mundial entre 1996 e 1999. Voltou então ao Brasil, onde prestou consultorias privadas, entre as quais para o grupo J&F, de Joesley Batista, algoz de Temer após delação premiada ao Ministério Público Federal.
Meirelles também foi presidente do Banco Central do Brasil entre 2003 e 2010, durante o mandato de Lula, e ministro da Fazenda entre maio de 2016 e abril deste ano, no governo de Michel Temer.

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