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PT fecha acordo com PSB e Ciro Gomes sofre revés


Costura prevê sacrifício de candidaturas de neta de Arraes em Pernambuco e de ex-prefeito de BH em Minas; neutralidade dos pessebistas pode isolar presidenciável do PDT


Felipe Frazão, Marianna Holanda, Mateus Fagundes, Renato Onofre, Kleber Nunes e Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo
01 Agosto 2018 | 15h53 
Atualizado 02 Agosto 2018 | 06h23


BRASÍLIA - PSB e PT fecharam nesta quarta-feira, 1º, um acordo que impõe uma nova derrota ao candidato do PDTCiro Gomes, na corrida presidencial. Pelo acerto, a sigla socialista se comprometeu a anunciar a neutralidade no primeiro turno, o que poderá deixar Ciro isolado na corrida pelo Palácio do Planalto nas eleições 2018. Este foi o segundo revés sofrido pelo candidato do PDT em duas semanas. Antes ele havia perdido para o tucano Geraldo Alckmin o embate pelo apoio dos partidos do Centrão – PP, DEM, PRB, PR e Solidariedade.
A costura entre as cúpulas do PT e do PSB sacrificou candidaturas regionais dos dois partidos e gerou reações indignadas em Pernambuco e Minas Gerais. A legenda petista articulou um processo de asfixia da candidatura de Ciro para manter a hegemonia no campo da esquerda, mesmo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva preso e condenado na Lava Jato – apesar da prisão e potencial inelegibilidade de Lula com base na Lei da Ficha Limpa, o partido vai anunciá-lo oficialmente como candidato.
Ciro Gomes
O presidenciável do PDT, Ciro Gomes, não sofreu nova derrota em busca de alianças Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO
Com o PSB neutro, seu tempo (44 segundos em cada bloco do horário eleitoral fixo 12 minutos e 30 segundos) no horário eleitoral no rádio e na TV não irá para nenhum outro candidato. Ciro, sem alianças, terá cerca de 26 segundos em cada bloco da propaganda presidencial. De acordo com estimativa do Estadão Dados, Alckmin, após o acordo com o Centrão, deverá contar com cerca de 4 minutos e 40 segundos em cada conjunto no horário eleitoral. Já o PT terá 1 minuto e 29 segundos por cada bloco. 
Restam aos petistas e pedetistas agora a disputa pelo apoio do PCdoBque nesta quarta-feira oficializou a candidatura de Manuela d’Ávila, mas continua negociando com os partidos. A tendência é o PCdoB fechar com o PT. A manutenção da candidatura de Manuela serve para pressionar os petistas a ceder a vaga de vice à deputada gaúcha. Essa decisão depende de um aval de Lula, que articulou o acordo com o PSB da prisão
Nesta quarta-feira, em Brasília, executiva nacional do PT aprovou, por 17 votos a 8, a retirada da candidatura da vereadora do Recife Marília Arraes – neta de Miguel Arraes– ao governo de Pernambuco. A medida era vista como fundamental para haver a neutralidade do PSB por favorecer o governador Paulo Câmara, candidato à reeleição. Por outro lado, o PSB rifou a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Marcio Lacerda ao governo de Minas, abrindo caminho para uma composição com o governador Fernando Pimentel (PT), que vai disputar um novo mandato. 
Marília afirmou que o acordo entre PSB e PT é “ataque especulativo” à sua candidatura. Ela disse que vai recorrer. Lacerda divulgou nota na qual afirmou que recebeu a decisão da direção do seu partido com “indignação, perplexidade, revolta e desprezo”. 
A movimentação política entre PT e PSB também beneficia o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que desde o início do processo eleitoral rejeitava a aliança do partido com outra legenda da esquerda. Com a neutralidade, França poderá apoiar livremente a candidatura de Alckmin, seu antecessor no Estado.

Petistas vão coligar com PSB em 4 Estados

Além de Pernambuco, os petistas vão coligar com o PSB na Paraíba, Amazonas e Amapá. No Maranhão, o PT vai apoiar o PCdoB - a resolução da executiva, no entanto, não fala sobre oferta da vaga de vice presidente para o PCdoB, como a sigla esperava.  O texto da resolução do PT fala que os acordos visam dar suporte a candidatura de Lula.
“Com o objetivo de fortalecer a unidade do campo popular em torno da candidatura Lula, e na perspectiva de construir as condições políticas para que uma aliança progressista governe o país a partir de janeiro de 2019, a direção do PT desenvolveu intenso diálogo com outros partidos, prioritariamente PSB e PCdoB, com os quais temos vínculos históricos”, diz o texto.

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